SÃO PAULO – A programação da tarde de ontem, 02 de junho, no Fórum Ambição 2030, realizado no MASP, deu relevância às dimensões sociais e tecnológicas da sustentabilidade no ecossistema corporativo. Lideranças debateram políticas de saúde mental, inclusão de pessoas em situação de refúgio, atualização de metas da Agenda 2030 e o uso ético de algoritmos […]
SÃO PAULO – A programação da tarde de ontem, 02 de junho, no Fórum Ambição 2030, realizado no MASP, deu relevância às dimensões sociais e tecnológicas da sustentabilidade no ecossistema corporativo. Lideranças debateram políticas de saúde mental, inclusão de pessoas em situação de refúgio, atualização de metas da Agenda 2030 e o uso ético de algoritmos nas relações de trabalho.
A abertura do período tratou da promoção de ambientes corporativos saudáveis. O keynote speaker da tarde, o psicólogo Alexandre Coimbra, pautou a saúde mental corporativa alertando as empresas contra a adoção de programas e benefícios meramente superficiais. “Saúde mental é a escuta do sofrimento. Se a organização não abre espaço para que a dor e a vulnerabilidade virem palavra, isso não é saúde mental corporativa; é outra coisa”, defendeu Coimbra, propondo a quebra do mito da liderança indestrutível e a humanização dos cargos de decisão.
A inclusão social e econômica de minorias pautou o debate “Protagonismo sem fronteiras: Recomeços que Inspiram”. A mesa contou com o depoimento real da técnica de enfermagem venezuelana Risett Campos, que relatou sua jornada de Boa Vista até a inserção no mercado profissional de São Paulo. Apoiadora de alto perfil do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), Daniele Suzuki apontou que o acolhimento efetivo exige a formação de conexões de acolhimento. “A oportunidade de um emprego é uma mudança de destino, mas desenvolver vínculos reais é o que reconstrói a vida de verdade”, pontuou Suzuki.
Representando o setor hoteleiro, o vice-presidente de talento e cultura da Accor Américas, Fernando Viriato, apresentou dados de empregabilidade de refugiados na rede e o papel do guia corporativo de inclusão em parceria com a ONU Mulheres. Viriato explicou que a inserção de estrangeiros é facilitada quando guiada pela compaixão, citando a cultura Heartist interna da companhia: “Se tudo mais falhar, aja com o coração”.
O evento seguiu com a diretora de impacto do Pacto Global – Rede Brasil, Mônica Gregori, detalhando as atualizações da “Estratégia Ambição 2030” e o novo Relatório anual, além do lançamento do Estudo do Salário Digno. No formato “Debatable”, representantes do Bradesco, Mars Brasil, Rede ACV, Scania Group, CAUSE e CEERT discutiram a eficácia dos ODS como framework de governança corporativa, sob avaliação de conselheiros da Fundação BMW, AYA Earth Partners e Motiva.
Os debates técnicos encerraram-se com o painel “Quem Programa o Futuro?”, avaliando os riscos de vieses e a regulação de inteligência artificial ética nos processos de recrutamento e contratação, com participação de lideranças da Yduqs, TOTVS, FGV/Ibre e Organização Internacional do Trabalho (OIT). O encerramento dos keynotes foi conduzido pela montanhista e ativista Aretha Duarte, primeira mulher negra latino-americana a atingir o cume do Everest, seguido pela apresentação artística de encerramento da cantora Céu.
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