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Pacto Global da ONU no Brasil participa de toque de campainha pela equidade de gênero

O encontro aconteceu no Dia Internacional da Mulher (8 de março) em um toque de campainha global para conscientizar sobre o empoderamento econômico das mulheres e as oportunidades no setor privado de incentivar a igualdade de gênero e o desenvolvimento sustentável.

Março de 2023 – Foi realizado, na B3, o “Ring the Bell for Gender Equality”, toque de campainha pela equidade de gênero. O evento é promovido simultaneamente em cerca de 100 bolsas do mundo com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o empoderamento econômico das mulheres e as oportunidades no setor privado para incentivar a redução das desigualdades.

Além do toque de campainha, o evento contou com um painel sobre o tema “Mulheres Negras – barreiras do recorte racial para a equidade de gênero”. Participaram do debate Ana Carolina Querino, representante adjunta da ONU Mulheres Brasil; Fernanda Ribeiro, presidente da Afrobusiness e cofundadora e CCO da Conta Black e Nalva Moura, gerente de Relações Institucionais do Pacto de Promoção da Equidade Racial. A mediação foi de Carolina Bandeira, advogada e uma das líderes do núcleo BL4CK da B3.
Carlo Pereira – CEO do Pacto Global da ONU no Brasil, Camila Valverde – COO do Pacto Global da ONU no Brasil e Tayná Leite – Gerente da Plataforma de Ação pelos Direitos Humanos estiveram presentes no evento.
Nalva Moura citou alguns dados do estudo “A mulher negra no mercado de trabalho brasileiro: desigualdades salariais, representatividade e educação entre 2010 e 2022”, do Pacto, que apontou que 51% das mulheres negras estão no trabalho informal, e menos de 1% em cargos de liderança de empresas. “A grande barreira é romper esta estrutura que culturalmente não reconhece a nossa potência, sobretudo no trabalho formal. Esses índices são um alerta para que as empresas façam essa interseccionalidade e reconheçam que é necessário trazer pluralidade. Nossa capacidade de fazer várias atividades ao mesmo tempo é reconhecida, mas nossa voz também precisa ser ouvida”, disse.

Ana Carolina Querino também defendeu a importância da interseccionalidade na busca pela equidade de gênero. “Não podemos deixar mais de 50% da população para trás. Não é possível pensar em igualdade de gênero sem incluir a questão racial e outras no centro das estratégias. O Brasil é o segundo país do mundo em quantidade de pessoas negras, apenas atrás da Nigéria, e sempre ouvimos dizer que este é o país do futuro. Nesse contexto, como aproveitamos o potencial das mulheres negras para construir esse país?”, disse. “A agenda de desenvolvimento 2030 [da ONU] já é resultado de um acordo entre distintos atores e distintas culturas ao redor do mundo. Então ter isso como um elemento para orientar as ações, essencialmente focando no princípio de não deixar ninguém para trás, é uma rota que já está colocada.”
Fernanda Ribeiro destacou a necessidade de um olhar sistêmico na busca por soluções. “Temos que ter um trabalho colaborativo: iniciativa privada, políticas públicas e trazer as organizações sociais para a mesa. Pensar de maneira sistêmica, e não isolada, em como vamos resolver juntos essa questão”, disse. Ela defendeu a importância da promoção da sustentabilidade financeira para empreendedoras negras. “A empreendedora preta tem o crédito negado quatro vezes mais do que um empreendedor branco com as mesmas condições. Se olharmos para os pequenos negócios das periferias, essa diferença pode chegar a 75 vezes. Precisamos do desenvolvimento de programas que olhem para vieses mais amplos, para gerar uma transformação. Costumo brincar que não precisamos de iniciativas, e sim de acabativas”, completou.

A diretora executiva de Pessoas, Marketing, Comunicação, Sustentabilidade e Investimento Social Privado da B3, Ana Buchaim, destacou algumas iniciativas recentes da bolsa do Brasil visando ampliar a representatividade de gênero e racial na companhia e no mercado. Entre os exemplos estão o programa interno de mentoria para mulheres na liderança da B3, que destinou até 50% das vagas para impulsionar a carreira de funcionárias negras, e o Programa de Equidade Racial em Conselhos. “A B3 tem um ‘duplo chapéu’ na agenda ESG. Buscamos implantar as melhores iniciativas como companhia listada e atuamos para induzir a adoção de boas práticas em todo o mercado”, disse.
O Ring the Bell for Gender Equality é uma inciativa da Sustainable Stock Exchanges Initiative (SSE) em conjunto com o Pacto Global, ONU Mulheres, International Finance Corporation (IFC) e World Federation os Exchanges (WFE). Este é o sétimo ano consecutivo que a B3 participa do toque de campainha.
Confira algumas fotos do evento:

Crédito das fotos: Cauê Diniz.