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Pacto Global da ONU no Brasil lança o Educa2030: movimento criado para promover educação inclusiva, equitativa e de qualidade 

Objetivo é endereçar temas importantes da educação no país, como melhorar a escolaridade da população, a inserção produtiva de jovens e ter mais mulheres em carreiras nas áreas de tecnologia, engenharia, ciências e matemática

Novembro de 2023 – O Pacto Global da ONU no Brasil anunciou, durante o 12º Fórum Global de Direitos Humanos, em Genebra, o lançamento do Movimento Educa2030, o 10º da estratégia Ambição 2030, criada para acelerar a Agenda 2030 da ONU, fazendo com que as organizações assumam compromissos públicos em metas ousadas e mensuráveis. O Movimento tem como objetivo engajar as empresas a se comprometerem com metas ambiciosas para o avanço da educação no Brasil, com foco no aumento da escolaridade da população, na inclusão produtiva de jovens e no aumento de mulheres em STEM (grupo de carreiras nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática). Globo e Yduqs são embaixadoras do movimento, que tem como parceiros o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Ministério do Trabalho e Emprego.

“O Educa2030 é uma plataforma chave para impulsionar a empregabilidade no Brasil. Estamos comprometidos em desenvolver competências e habilidades que são cruciais para o mercado de trabalho, preparando os indivíduos para assumir funções significativas na economia moderna. Nosso foco com o Movimento é conectar talentos com oportunidades de trabalho, fomentando uma força de trabalho diversificada e qualificada. É sobre abrir portas para carreiras promissoras e sustentáveis para nossa população. Esta é uma pauta indispensável para o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico do país”, afirma Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil.

Os principais pilares deste movimento são a Escolaridade (possibilitar que os funcionários das empresas elevem sua escolaridade, sobretudo entre grupos subrepresentados, como pessoas negras, mulheres e PCD, considerando operações e cadeia de valor); a Inclusão Produtiva (promover a inclusão produtiva de jovens de 14 a 29 anos, com foco na Lei da Aprendizagem); e Mulheres no STEM (impulsionar o desenvolvimento de mulheres em carreiras STEM).

Empresas embaixadoras, a Globo e a Yduqs se juntam ao Pacto Global da ONU para engajar o setor privado em ações para enfrentar importantes desafios da educação no país. Há mais de cinco décadas, a Globo apoia ativamente a educação como vetor de transformação do Brasil, reconhecendo e impulsionando diferentes iniciativas que representam o futuro do setor, além de promover diálogo sobre a qualidade da educação, através dos conteúdos em seus canais e plataformas. Recentemente, juntamente com a Fundação Roberto Marinho, lançou o Movimento LED – Luz na Educação, iniciativa que mapeia e ilumina práticas que estão mudando a educação no país. Com o Movimento, nos últimos dois anos, já distribuiu mais de R$ 3 milhões para projetos educacionais no Brasil.

“Ser uma das empresas embaixadoras do movimento Educa2030 em parceria com o Pacto Global corrobora com a Agenda ESG da Globo na temática da educação. É importante que tenhamos esse papel de mobilizar e estimular outras organizações a seguirem por esse caminho no ODS 4 – ‘Educação de Qualidade’. Além de olharmos para fora, já sob a perspectiva do impacto positivo que a nossa atuação resulta, a adesão ao Educa2030 sinaliza um olhar estratégico para construção de uma agenda de educação também junto aos colaboradores da empresa”, afirma Cristovam Ferrara, diretor de Valor Social da Globo. O engajamento ao movimento conta com a parceria da Fundação Roberto Marinho, para oferecer capacitação e formação do quadro de colaboradores da companhia.

“Queremos multiplicar, em nosso país, a transformação a que assistimos diariamente em nossas instituições de ensino, que é a educação gerando poder de autodeterminação, inclusão e cidadania”, diz Cláudia Romano, vice-presidente e head de ESG da Yduqs e presidente do Instituto Yduqs, organização que também irá atuar para trazer novas empresas para a agenda Educa2030. “Nada poderia dialogar tão diretamente com a história e com a visão da Yduqs quanto essa agenda proposta pelo Pacto Global no Brasil, com quem temos uma parceria de muitos anos e um alinhamento muito forte, dado que nossas estratégia e metas ESG são baseadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que eles disseminam e promovem no país. Vamos trabalhar juntos por uma mobilização ampla, nacional, para derrubar as barreiras que persistem entre milhões de pessoas e um futuro mais justo, solidário e diverso para nossa sociedade”.

UNICEF e Ministério do Trabalho e Emprego participam da iniciativa como os parceiros estratégicos, e fornecem suporte técnico ao projeto. “O UNICEF vem atuando desde 2020 na agenda de transição escola-trabalho e inclusão produtiva de adolescentes e jovens por meio da iniciativa Um Milhão de Oportunidades (1MiO), que já gerou mais de 300 mil oportunidades de trabalho decente e formação profissional com uma rede de quase 2 mil parceiros entre governos, empresas e organizações da sociedade civil. É uma satisfação unir forças com o Pacto Global e outros importantes parceiros na iniciativa do Educa2030 que une o compromisso pela educação e o trabalho decente com foco no setor privado”, afirma Gustavo Heidrich, oficial de Programas do UNICEF no Brasil.

Para Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, a união de diferentes setores da sociedade faz a diferença no projeto. “O Movimento Educa2030 possibilita uma articulação entre distintos atores com objetivo de potencializar o cumprimento dos ODS. Sendo essencial o engajamento das empresas na promoção da formação profissional e a elevação de escolaridade de seus trabalhadores. A estratégia multiatores promovida pelo Pacto Global é essencial para inclusão social em nosso país”.

Ao aderir ao Movimento Educa2030, as empresas devem optar por um ou mais dos seguintes compromissos, a serem atingidos até 2030:

1. Opção A: Oferecer a todos os funcionários da organização que não possuem Ensino Médio ou Técnico a possibilidade de concluí-lo até 2030 ou

Opção B: Oferecer a todos os funcionários da organização e terceiros que não possuem Ensino Médio ou Técnico a possibilidade de concluí-lo até 2030 ou

Opção C: Meta de 30% de funcionários(as) da organização com Ensino Superior concluído até 2030

2. Atingir a cota legal de Aprendiz até 2030, considerando a inclusão da diversidade, e formar todos os jovens em desenvolvimento sustentável

3. Oferecer desenvolvimento profissional para mulheres, e todas as suas interseccionalidades, em carreira STEM, seja em suas atividades finalísticas ou de suporte

Sobre o cenário da Educação no Brasil

O Brasil é o segundo, entre 37 países, com maior número de jovens que não estudando, nem trabalha, um total aproximado de 10 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos (OCDE e Pnad Contínua – Educação, 2022 – 2023). A chamada geração nem-nem. Dados do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, 2022, demonstram que, se as empresas contratassem a cota máxima de 15% da sua força de trabalho de aprendizes, até três milhões de vagas poderiam ser criadas para adolescentes e jovens. E ainda, segundo estudo feito pela Fundação Roberto Marinho, em 2022, 68% dos jovens que participam de programas de aprendizagem conseguem emprego no mercado formal.

Segundo o relatório “Uma Equação desequilibrada: aumentar a participação das Mulheres na STEM na LAC”, produzido pela UNESCO e publicado em 2022, dentro do contexto do Ensino Superior, a despeito das melhorias no acesso ao nível de graduação e pós-graduação nos últimos anos, as mulheres são muito menos propensas a progredir para além do nível de mestrado ou a adentrar em campos de pesquisa: globalmente, 71% dos pesquisadores universitários são homens (UNESCO, 2020). Na área de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês), essa disparidade é ainda mais acentuada. Apenas 3% dos prêmios Nobel de ciências foram concedidos a mulheres e, mais perto de casa, no Brasil, a representação de mulheres em cargos de liderança na área de Ciência e Tecnologia está entre 0% e 2%.

O mesmo estudo mostra ainda que existem várias barreiras que levam a uma falta de vontade ou de oportunidade para as meninas escolherem uma carreira nos campos STEM. Por esta razão, estima-se (WEF 2016) que apenas uma mulher consegue um emprego nos campos STEM para cada quatro homens, contribuindo para uma maior desigualdade económica na sociedade. Nas tecnologias digitais avançadas, a proporção de mulheres é baixa. Por exemplo, no sector global da Inteligência Artificial (IA), apenas 22% de todos os profissionais são mulheres. Esta lacuna é visível nos 20 países com a maior concentração de empregados de IA. De acordo com o WEF (WEF 2018) para os três países ALC presentes neste grupo, a lacuna é ainda pior. Estima-se também que entre os investigadores de aprendizagem mecânica, a proporção de mulheres é de apenas 12% (Bello, Blowers e Schneegans 2021)

Painéis apresentam diferentes olhares e propostas para a educação

O lançamento do Movimento Educa2030 aconteceu em um side-event realizado nesta quarta-feira, no Palais des Nations. Após uma fala inicial de Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil, e Claudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do grupo Educacional Yduqs, Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo, entrou por vídeo para falar sobre a entrada da Globo no projeto.

“É muito emocionante estar aqui. Saio mais empoderada. E reforço o compromisso inegociável do Yduqs com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Temos 24 metas ESG alinhadas com os ODS e os princípios do Pacto Global. E é com muito orgulho que o Yduqs está aqui nessa jornada de transformação”, disse Claudia Romano.

Em seguida, foram apresentados os painéis ‘A Educação ao centro: provocações para a Agenda 2030 no setor privado’, por Cristovam Ferrara, diretor de Valor Social da Globo; em seguida, ‘Educação como vetor de mudança – iniciativas que transformam’, com Viridiana Bertolini, gerente de Valor Social da Globo, e Nanny Faggiano, diretora de Sustentabilidade da Yduqs, com mediação de Gabriela Rozman, Gerente Sênior de Direitos Humanos e Trabalho, do Pacto Global da ONU. Raquel Virginia, CEO e Fundadora da Nhaí!, e Fernanda Vendramini Tedde, COO da agência AlmapBBDO, falaram no painel ‘Dados, Pesquisas e Indicadores’. Raquel Virgínia lembrou da importância de partir de dados e metas para trabalhar as experiências interseccionais e sobre o censo inédito sobre inclusão produtiva LGBTQIAPN+, realizado pela Nhaí em parceria com a AlmapBBDO. O levantamento vai detalhar o perfil de empregabilidade e empreendedorismo da comunidade no país, trazendo dados como o número de pessoas LGBTQIAPN+ empreendedoras; identificando a percepção sobre bloqueios existentes para a inserção no mercado de trabalho. “Agradeço por estar aqui. É um posicionamento histórico ter uma mulher trans, negra, empreendedora, nesta casa”.

O evento contou ainda com falas de Raull Santiago, membro do Conselho Jovem do Pacto Global da ONU no Brasil, como keynote Speaker. Raull emocionou a todos e foi aplaudido de pé com sua fala na plenária: “Ocupar esse lugar é uma imensa honra porque não se trata de um, se trata de muitas, de muitos, se trata da história e da construção de desigualdade desse país. Não preciso mergulhar para falar sobre ODS, ESG, mas trazer o que é transversal a todo esse fluxo que é falar de racismo, racismo nos espaços, racismo climático, racismo que não nos permite ocupar ainda essas estruturas de tomada de decisão. Como eu não cursei o ensino superior, não tive a oportunidade de aprender o inglês, não domino o inglês, não sentia confiança para sair da minha realidade para ocupar um outro espaço, mesmo sabendo da importância e da necessidade disso, sabendo essas estruturas de desigualdades nos assolam, nos assombram e nos perseguem. Mas, ao mesmo tempo, levanto a cabeça e ocupo esse lugar porque falar é importante para que cada vez menos pessoas passem pelos processos que a gente ainda passa hoje”.