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Pacto Global da ONU no Brasil lança Impacto Amazônia e propõe participação ativa das empresas para manter floresta em pé

Objetivo é garantir a preservação da Amazônia, proteger o clima global e promover o desenvolvimento sustentável para a região e suas comunidades

Objetivo é garantir a preservação da Amazônia, proteger o clima global e promover o desenvolvimento sustentável para a região e suas comunidades

Setembro de 2023 – O Pacto Global da ONU no Brasil anunciou durante o SDGs in Brazil, evento da rede brasileira que ocorre na sede das Nações Unidas em Nova York, o lançamento do Movimento Impacto Amazônia, o nono da estratégia Ambição 2030, criada para acelerar a Agenda 2030, fazendo com que as organizações assumam compromissos públicos em metas ousadas e mensuráveis. A iniciativa busca engajar as empresas dos setores público e privado para contribuir para alavancar o desenvolvimento sustentável da Amazônia, de olho no alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A Eletrobras e a Ambipar são as embaixadoras do novo Movimento.
Saiba como fazer parte do Movimento
“Precisamos reunir todos os atores da sociedade civil, setor privado e governo em torno dessa pauta fundamental para o Brasil e o mundo. Estamos num momento decisivo de transição para a economia verde e temos que ter clareza sobre isso. Agir agora é fundamental. Faz parte do nosso mandato como Pacto Global trazer as empresas para assumir compromissos também na Amazônia”, diz Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil.
O Impacto Amazônia é o primeiro Movimento do Pacto Global da ONU no Brasil que tem o foco em uma região, e possui a ambição de mover o setor empresarial brasileiro para combater o desmatamento e a manter a floresta em pé, contribuindo com ações individuais, setoriais e intersetoriais, para o alcance de vários ODS como 13 – Ação Climática; 12 – Consumo e Produção Responsáveis; 15 – Proteger a Vida Terrestre. ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável dentre outros.

“Dentro do Pacto Global, nós temos um potencial enorme para trabalhar de forma articulada com as organizações de setores-chave que operam na Amazônia, como o de mineração, proteína animal, soja, energia, cosméticos e financeiro, que é transversal a todos. E com a integração entre a iniciativa privada, o poder público e a sociedade civil, nós criamos condições para transpor o maior desafio na região, que é o alto nível de complexidade para avançar no combate ao desmatamento e no desenvolvimento sustentável”, afirma Camila Valverde, COO e Diretora de Impacto do Pacto Global da ONU no Brasil.
Para Rafael Tello, diretor de Sustentabilidade da Ambipar Group, cuidar da Amazônia e desenvolver uma economia verde na região é parte fundamental da ambição da Ambipar de liderar uma economia circular e de baixo carbono: “Entendemos os desafios e estamos muito confiantes de que o movimento terá os recursos necessários para lidar com os obstáculos de promover o desenvolvimento da região e levar dignidade para as pessoas, mantendo a floresta em pé e aproveitando os recursos de forma responsável, preservando sua biodiversidade, serviços ambientais e ecossistêmicos”.
Outra empresa embaixadora do Impacto Amazônia, a Eletrobras é mais uma organização que se engaja nessa nova iniciativa da estratégia Ambição 2030. “A Eletrobras já desempenhava um papel relevante no Movimento Transparência 100% e agora somos os embaixadores do Impacto Amazônia. Para nós, é uma prioridade estarmos de mãos dadas com o Pacto Global da ONU, a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo”, afirma Camila Araújo, vice-presidente de Governança, Riscos e Compliance e diretora de Sustentabilidade da Eletrobras.

Além do setor privado, o Pacto Global já contatou organizações da sociedade civil e firmou parceria com o Ministério Público Federal para formar os grupos de trabalho que vão ajudar a desenvolver soluções para os problemas críticos da Amazônia.
O Impacto Amazônia contará com uma estratégia de engajamento e desenvolvimento de ações junto às empresas que contempla dois pilares chaves: enfrentamento do desmatamento e manutenção da floresta em pé.
1 – Enfrentando o Desmatamento:
1.A – Pacto Setorial: Estabelecer uma ação coletiva com setores-chave (acima citados) operando na Amazônia brasileira, a fim de combater o desmatamento, alinhar as práticas empresariais e das cadeias produtivas rumo à conformidade com as legislações ambientais e desenvolver um plano de ação com compromisso setorial de uso do solo dentro desta estratégia conjunta.
1.B – Devida Diligência em Desmatamento: desenvolver e Implementar uma ferramenta para que as empresas, especialmente as empresas de fora da Amazônia legal, de diferentes setores identifiquem seu estágio de maturidade em relação ao compromisso e combate ao desmatamento da Amazônia brasileira.
2 – Floresta Em Pé:
2.A. Bioeconomia – Apoiar e desenvolver projetos de bioeconomia que apoiem e articulem grupos produtivos nas comunidades amazônicas, identificando os gargalos da implementação de novos negócios que valorizem a sociobiodiversidade,  fomentando o desenvolvimento sustentável da região e conferindo especial atenção a povos e comunidades indígenas e tradicionais.
2.B – Povos e comunidades originárias – desenvolver e fortalecer as organizações dos povos originários através da escuta, co-construção e ações que promovam o protagonismo da população local.
Camila Valverde explica que, dada a complexidade do contexto socioambiental e econômico que envolve o bioma Amazônico, não há uma solução única, mas, sem dúvida, é fundamental valorizar, aprender e reconhecer a atuação dos povos indígenas no seu território. O estudo do ISA (Instituto Socioambiental) de 2022 revelou que as terras indígenas e as reservas extrativistas apresentaram melhor performance na proteção das florestas quando comparadas inclusive com Unidades de Conservação de proteção integral ou Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Os territórios de ocupação tradicional também funcionam como barreiras contra o desmatamento. “O Movimento Impacto Amazônia vai trabalhar em prol do fortalecimento dos povos originários de forma respeitosa e dando a eles o seu devido protagonismo na estratégia de atuação”
Aumentar a consciência e direcionar o setor empresarial para ações concretas é o que propõe a ferramenta Devida Diligência e Ação, que será desenvolvida e implementada junto às empresas da rede do Pacto global. “Uma pesquisa recente do World Resources Institute mostrou que 82% dos danos ambientais do bioma são oriundos de demandas e ofertas de empresas que não estão na Amazônia. A ferramenta Devida Diligência e Ação vai monitorar o grau de maturidade que a empresa tem referente aos seus riscos ambientais e sociais, mesmo que ela não esteja inserida no bioma, permitindo assim mitigá-los e terem, de fato, um comprometimento da sua cadeia de valor no combate ao desmatamento ou com questões socioambientais graves na Amazônia”.
As empresas que aderirem ao Movimento assumem o compromisso de, até 2030, implementar iniciativas e projetos que assegurem que a operação e a cadeia de valor da companhia não contribuam com o desmatamento e promovam ações para manter a floresta em pé. As companhias que tiverem interesse em participar do Movimento já podem se cadastrar:
Quero participar
O Impacto Amazônia é o nono Movimento do Ambição 2030, estratégia criada para tratar dos ODS prioritários ligados às questões mais urgentes do Brasil. Os outros oito movimentos são: Mente em Foco, Raça é Prioridade, Elas Lideram 2030, Salário Digno, Ambição NetZero, Transparência 100%, +Água e Conexão Circular.
O evento SDGs in Brazil, realizado às vésperas da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, contou com mais de 300 convidados, entre altas lideranças dos setores público e privado, representantes de organizações, formadores de opinião globais e líderes internacionais do Pacto Global, entre outros, para debater o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS, SDG em inglês) por meio de iniciativas de empresas, além de outros temas ligados à Agenda 2030, como direitos humanos, meio ambiente e governança.
A realização do SDGs in Brazil é do Pacto Global da ONU no Brasil, com apoio da Ambipar e Eletrobras, e as parcerias de Aegea, Afya, APEX, BB Americas, Brazil Climate Summit, Exame, Instituto Alana, Instituto Alok, Suvinil e United.

Pesquisa Pulse de Cenário de Empresas e Amazônia
Em pesquisa realizada com mais de 160 empresas participantes do Pacto Global da ONU no Brasil este mês, a maior parte (58,54%) informa que já realizou análise dos riscos para sua operação diante da crise climática; entretanto, 79,27% não analisaram o risco da cadeia de fornecimento em relação ao envolvimento com o desmatamento da Amazônia. “Considerando o Bioma Amazônia de extrema relevância para regulação climática mundial, desenvolver ações e ferramentas para o setor empresarial avançar nesta agenda será decisivo na estratégia do Movimento Impacto Amazônia”, destaca Camila Valverde.
Outro dado que a pesquisa do Pacto Global da ONU no Brasil apresenta é que apenas 32,93% das empresas possuem algum mecanismo de garantia da origem dos insumos ou produtos, como sistema de rastreabilidade, certificação de origem ou alguma tecnologia que evidencie a fonte do produto. Além disso, 64,63% não incluem em seus contratos com fornecedores cláusulas referentes ao compromisso com o não desmatamento da Amazônia.