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Organizações sociais assinam carta de compromisso pela equidade racial em Nova York

Pacto Global da ONU no Brasil, Pacto de Promoção da Equidade Racial e Movimento Pela Equidade Racial (MOVER) reforçaram o posicionamento público e o comprometimento em construir um mercado corporativo e uma sociedade mais equânime

Pacto Global da ONU no Brasil, Pacto de Promoção da Equidade Racial, e Movimento Pela Equidade Racial (MOVER) reforçaram o posicionamento público e o comprometimento em construir um mercado corporativo e uma sociedade mais equânime
Setembro de 2023 – O Pacto Global da ONU no Brasil, o MOVER (Movimento Pela Equidade Racial) e o Pacto de Promoção de Equidade Racial assinaram uma Carta Compromisso no evento SDGs in Brazil, promovido pelo Pacto Global no Delegates Dining Room, dentro da Sede da ONU em Nova York, para reafirmar o compromisso das entidades com a luta pela equidade racial e discutir estratégias para incentivar atuação de empresas no enfrentamento às desigualdades no ambiente corporativo.
Saiba como fazer parte
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as pessoas negras são a maior parte entre os mais pobres (78,5% contra 20,8% das pessoas brancas) e possuem a maior taxa de desemprego (32,7% contra 11,3%). Mais da metade das pessoas trabalhadoras do Brasil (53,8%) são negras, mas o índice não acompanha o topo da hierarquia nas organizações. Apenas 29,5% dos cargos gerenciais das empresas são ocupados por pessoas negras (e 69% por pessoas brancas).
Por entender a necessidade de discutir sobre essa realidade e mudar este cenário é que os movimentos se uniram. O documento assinado marca um posicionamento público a favor das temáticas ligadas à representatividade, pertencimento e empoderamento da população negra. Esta é uma formalização de um protocolo de apoio Institucional mútuo, onde cada empresa é independente para aderir a iniciativa que melhor se adequar a sua estratégia.
O Pacto Global da ONU no Brasil atua no país desde 2003 e, hoje, é a segunda maior rede local do mundo, com mais de 1,9 mil organizações participantes. Além disso, conta com mais de 50 projetos conduzidos no país que abrangem, principalmente, os temas: Água e Saneamento, Alimentos e Agricultura, Energia e Clima, Direitos Humanos e Trabalho, Anticorrupção, Engajamento e Comunicação. A iniciativa reúne o setor empresarial para atuar com impacto mensurável nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tanto na evolução dos modelos de negócios como na implementação de projetos em parceria, além de aplicar metas para as empresas buscarem o equilíbrio racial nas corporações.
“É uma responsabilidade de todos os setores da sociedade buscar a equidade racial, porém, as empresas têm um papel crucial nesta transformação. Só com uma liderança diversa é que veremos a mudança real acontece nas equipes, nos resultados de negócio e nas relações mercadológicas como um todo. O Pacto dos Pactos reforça este dever, chamando as instituições também para a ação”, comenta Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil.
Já o MOVER (Movimento Pela Equidade Racial), que foi fundado em 2021, é composto hoje por 49 empresas de diferentes setores e propõe ser um agente de transformação e atuação de forma propositiva e colaborativa na luta pela equidade racial. Sua atuação é pautada em três pilares: Liderança, Emprego e Capacitação e Conscientização com o objetivo de ter mais 10 mil novas posições de lideranças para pessoas neg/ras até 2030; gerar oportunidades para 3 milhões de pessoas de diversas formas, inclusive com cursos, capacitação, conscientização, conexão com empreendedores negros, entre outras ações; e ser uma plataforma e ferramenta de apoio na meta de ter uma população conscientizada quanto ao racismo, por meio de comunicação ativa para públicos internos e externos, englobando toda a cadeia de valor.
Por fim, o Pacto de Promoção da Equidade Racial, hoje formado por 55 empresas signatárias, tem como proposta a implementação do Protocolo ESG Racial para o Brasil, proporcionando a adoção por empresas e investidores institucionais. O protocolo, contempla ações que estimulem uma maior equidade racial – muito centrada na adoção de ações afirmativas, na melhoria da qualidade da educação pública e na formação de profissionais negros. A organização traz a questão racial para o centro do debate econômico brasileiro e atrai a atenção de grandes empresas nacionais e multinacionais, da sociedade civil e do Governo para o tema. Esses critérios e suas métricas ajudam a reconhecer o nível de sustentabilidade dos investimentos em determinadas atividades da economia real.
“Este é um momento em que as organizações têm reforçado o olhar para direitos humanos, diversidade e agenda ESG. O mundo está cada vez mais cobrando atenção para essa temática e o Brasil tem a oportunidade de liderar e conduzir o assunto. Queremos que as empresas entendam nosso propósito e assumam esse compromisso de mudança. É muito importante esse engajamento para que as metas propostas no nosso plano de ação atuem com muito mais eficiência”, afirma Marina Peixoto, diretora executiva do Mover.
Gilberto Costa, diretor executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial afirma que o protocolo ESG Racial não é apenas uma ferramenta de promoção da diversidade e inclusão, mas um importante propulsor de transformação social do país por meio da educação qualificada. “Com as métricas exclusivas, diretrizes e ações afirmativas, propomos caminhos efetivos para ampliar as iniciativas em prol da população negra, gerando perspectivas e oportunidades, fomentando o desenvolvimento e promovendo justiça social. A assinatura do Pacto dos Pactos amplia nosso esforço para alavancar as ações que estamos comprometidos”, reforça.
O evento vai reunir, entre os dias 14 e 15 de setembro, mais de 300 pessoas, entre lideranças nacionais e internacionais de grandes empresas, do poder público e da sociedade civil, para debater o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS, ou SDG em inglês) por meio de iniciativas de empresas, além de outros temas ligados à Agenda 2030, como direitos humanos, meio ambiente e governança. 
“É importantíssima a ação conjunta de instituições que são complementares, que trabalham diversos aspectos da equidade racial no país, como empregabilidade e mentoria, com  metas públicas e mensuráveis disponíveis para todos”, afirma Tayná Leite, Gerente Sênior de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU no Brasil.
Foto: Leandro Fonseca/Exame