Para ser completa e justa, a transição climática envolve outras preocupações para além da estritamente ambiental: empregabilidade, geração de renda, igualdade e proteção aos direitos humanos. Como empresas podem integrar esses pilares à sua estratégia de negócios? Esse foi o foco das discussões durante a tarde desta quinta (18) na sede da ONU, em Nova […]
Para ser completa e justa, a transição climática envolve outras preocupações para além da estritamente ambiental: empregabilidade, geração de renda, igualdade e proteção aos direitos humanos. Como empresas podem integrar esses pilares à sua estratégia de negócios?
Esse foi o foco das discussões durante a tarde desta quinta (18) na sede da ONU, em Nova York, durante o evento SDGs in Brazil 2025, realizado pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, com a presença de diversas lideranças da sociedade civil brasileira e autoridades globais.
Um ponto fundamental é qualificar a força de trabalho para que investimentos na transição energética alavanquem também outras indústrias locais, defendeu Maria Netto, diretora presidente do iCS. Na mesma linha, Mekala Krishnan, Global Institute Partner da McKinsey, detalhou os impactos no mercado de trabalho global conforme o mundo se adapta a tecnologias verdes, alertando para a necessidade de adaptar também os skills dos trabalhadores afetados.
“Como eu, que tenho um negócio que depende da água, sol e vento, não vou agir responsavelmente com o meio ambiente? Como não vou me engajar com comunidades em torno desses empreendimentos?”, questionou Camila Araújo, da Eletrobras.
Helena Pavese, da Suzano, Roberto Armelin, do SPFC, e Silvana Machado, do Bradesco, compartilharam experiências concretas empresariais para promover transparência e boas práticas em setores tão diversos quanto o financeiro e o futebol.
Outro pilar fundamental dessa estratégia é ouvir as comunidades afetadas e valorizar a diversidade de vozes. “Ter pessoas negras, indígenas e quilombolas, para ter essa visão diferente e inovadora. É uma oportunidade de trazer nova perspectiva, novo conhecimento, e isso pode ser impulsionado com os recursos e tecnologia que setor privado tem. Mas para isso é preciso ter intenção, se não ficamos sempre em conversas em salas fechadas”, afirmou Mariana de Paula, do Instituto Decodifica e Embaixadora do South of the Future, seguida de aplausos.
Um dos destaques da tarde foi a apresentação de Túlio Custódio, sócio da Inesplorato, sobre as visões de estrangeiros e dos próprios brasileiros sobre o Brasil. “Podemos ser percebidos no mundo como país da sociobiodiversidade. Não é uma fantasia essa narrativa, é algo que já faz parte do que somos. O país do presente, que tem o que o mundo precisa, que conversa com os mundos, que é berço de inovação”, defendeu.
Essa postura de diálogo do país foi o centro também da palestra do embaixador Sérgio Danese, da missão do Brasil nas Nações Unidas. Em um mundo de instabilidades geopolíticas, Brasília se beneficiaria de seu apelo ao multilateralismo. O diplomata ainda destacou a relevância do setor privado. “Várias de nossas empresas têm muito a ensinar na tarefa de contribuir para o ODS tanto no Brasil quanto no exterior”, destacou.
Na mesma linha, Oliver Stuenkel discutiu os desafios do cenário global hoje, entendendo que seus problemas são estruturais –resultado de um mundo de multipolaridade, como aconteceu em outros momentos da história. Ele não vê a instabilidade hoje como decorrente de um governante ou outro específico, mas como algo maior decorrente dessa dinâmica.
Por isso, as empresas devem aprender a navegar esse novo normal, alertou, e entender o protagonismo que adquirem na resposta a desafios coletivos como o aquecimento global.
No fim da tarde, o painel Bioeconomia e floresta debateu a COP30 com Marcelo Behar, enviado especial da COP 30 e Consultor Sênior do WBCSD, Gabriel Santamaria, do Banco do Brasil, e Rubens Filho, Gerente Executivo de Meio Ambiente do Pacto Global – Rede Brasil.
“Multilateralismo é mais importante do que nunca. Contra esse pano de fundo de instabilidade, sabemos que negócios têm drive e muito o que ganhar nesse processo”, arrematou Melissa Powell, do Pacto Global da ONU, encerrando o dia.
Sobre o Pacto Global da ONU
Como uma iniciativa especial do Secretário-Geral da ONU, o Pacto Global das Nações Unidas é uma convocação para que as empresas de todo o mundo alinhem suas operações e estratégias a dez princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção. Lançado em 2000, o Pacto Global orienta e apoia a comunidade empresarial global no avanço das metas e valores da ONU por meio de práticas corporativas responsáveis. Tem mais de 20 mil participantes distribuídos em 62 redes que cobrem 77 países, sendo a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo. Há ainda 5 Hubs em diferentes regiões do mundo e mais 14 gerentes nacionais responsáveis pelo processo de implementação em mais 20 países. Para mais informações, siga @globalcompact nas mídias sociais e visite nosso website em www.unglobalcompact.org.
O Pacto Global – Rede Brasil foi criado em 2003 e, hoje, é a segunda maior rede local do mundo, com mais de 2.300 mil participantes. Os mais de 60 projetos conduzidos no país abrangem, principalmente, os temas: Água, Oceano, Resíduos, Agricultura, Florestas, Clima, Direitos Humanos e Trabalho, Anticorrupção, Engajamento e Comunicação. Para mais informações, siga @pactoglobalonubr nas mídias sociais e visite nosso website em www.pactoglobal.org.br