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Papel das empresas na defesa dos direitos humanos das mulheres é destaque de eventos do Pacto Global da ONU – Rede Brasil em Nova York

Rafa Brites, Cris Guterres, Leticia Vidica e Monique Evelle farão a cobertura dos eventos do Pacto Global nas redes sociais durante a 68° Sessão da Comissão da ONU sobre a situação das Mulheres (CSW).

São Paulo, 11 de março de 2024 – Com uma delegação com cerca de 150 pessoas, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil promoverá eventos paralelos à 68ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW), em Nova York, nos dias 13 e 14 de março. A missão é debater – em diferentes esferas – a importância do comprometimento das empresas na defesa dos direitos humanos das mulheres e meninas, especialmente, daquelas que enfrentam múltiplas vulnerabilidades. As iniciativas, que acontecem em Yale e na própria sede das Organizações das Nações Unidas, reunirão nomes como a socióloga e primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, a deputada federal Benedita da Silva; a ministra das Mulheres do Brasil, Cida Gonçalves, entre outras lideranças empresariais, representantes da sociedade civil, membros da imprensa, autoridades da ONU e autoridades governamentais. Também fazem parte da delegação brasileira personalidades e influenciadoras como Rafa Brites, Cris Guterres, Leticia Vidica e Monique Evelle. A programação paralela do Pacto Global da ONU – Rede Brasil à CSW tem Instituto Avon e YouTube como apoiadores e 1MiO e Global Citizen como parceiros institucionais.

“Todas as nossas iniciativas, debates e premiações em Nova York abrangem diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas, principalmente, o ODS 5, de igualdade de gênero. A desigualdade que atinge mulheres e meninas é uma pauta urgente e até tardia, sobretudo em países como o Brasil. Precisamos avançar nessa agenda e é missão do Pacto Global trazer as lideranças das empresas à ação e ajudar as organizações”, explica Camila Valverde, diretora da Frente de Impacto e COO do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.

No dia 13, quarta-feira, um café da manhã no The Yale Club of New York City abre a programação paralela à CSW promovida pelo Pacto Global e contará com a presença de Sanda Ojiambo, assistente do Secretário-Geral e CEO do Pacto Global; Ana Fontes, delegada líder do Brasil no W20, vice-presidente do Conselho de Administrativo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, fundadora e presidente da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto RME; Camila Valverde, COO do Pacto Global da ONU – Rede Brasil; e Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil; entre outros nomes.

Resultados de pesquisas e trabalhos relevantes serão apresentados ao longo do dia 14, quinta-feira, em uma extensa programação, com falas de Rachel Maia, presidente do Conselho Administrativo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil na abertura, da deputada Benedita da Silva e da jornalista Vera Magalhães, ambas como keynote speaker, e de Cida Gonçalves, Ministra das Mulheres do Brasil, em debates com os temas ‘Substantivo Feminino’ e ‘Avançando o setor empresarial promovendo políticas públicas’, respectivamente.

Neste dia, o Datafolha anuncia os dados preliminares do Censo de Inclusão Produtiva LGBTQIAPN+, realizado em uma parceria inédita do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Almap BBDO e Nhaí, cuja CEO é Raquel Virginia, ativista e integrante do Comitê de Sustentabilidade do Pacto Global. Trata-se do primeiro estudo aprofundado que visa coletar dados qualificados sobre a inclusão dessa população no ambiente de trabalho. Haverá também lançamento internacional do Mapa Nacional da Violência de Gênero, projeto de parceria entre o Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) e o DataSenado, ambos do Senado Federal, o Instituto Avon e a Gênero e Número. Lançado em novembro de 2023, o Mapa Nacional da Violência de Gênero é uma plataforma interativa que reúne os principais dados nacionais públicos e indicadores de violência contra as mulheres do Brasil, incluindo a Pesquisa Nacional de Violência contra as Mulheres – a mais longa série de estudos sobre o tema no país.

No mesmo dia, Guilherme Nascimento Valadares, do Instituto PDH e Papo de Homem, vai detalhar o projeto ‘Meninos: Sonhando com os Homens do Futuro’, que inclui uma pesquisa, documentário e currículo pedagógico, mapeando os medos, as dores, os desafios e os sonhos poderosos dos rapazes de hoje, internacionalmente. O projeto entrevistou meninos de 13 a 17 anos, buscando compreendê-los para a criação de ferramentas que sejam acolhidas e façam sentido para o desenvolvimento deles.

Ainda no dia 14, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil vai anunciar as práticas vencedoras das empresas em uma premiação promovida pelos Movimentos da Ambição 2030 na área de Direitos Humanos e Trabalho da instituição. Maite Schneider, fundadora da Transempregos, e a jornalista Cris Guterres serão as mestres de cerimônia do evento, que contará com uma performance musical da cantora Raquel.

“Por meio do Elas Lideram 2030, Raça é Prioridade, Salário Digno e Mente em Foco, Movimentos do Pacto Global, iremos premiar as melhores práticas adotadas por empresas participantes no último ano. Esse reconhecimento é um dos eixos da nossa estratégia de alavancagem da Ambição 2030, iniciativa criada para acelerar a jornada das empresas no cumprimento dos ODS”, diz Tayná Leite, Head de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.

A CSW é o principal fórum de negociação e monitoramento dos compromissos internacionais sobre direitos humanos das mulheres. Na programação oficial da ONU, autoridades dos mecanismos das mulheres, sociedade civil e especialistas participam nas reuniões anuais. A situação das mulheres e das meninas no mundo é muito preocupante. De acordo com dados da ONU Mulheres e da ONU DESA (Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas), se os padrões atuais persistirem, prevê-se que aproximadamente 8% da população feminina global (342,4 milhões de mulheres e mulheres) viverá com menos de 2,15 dólares por ano/dia até 2030. No Brasil, segundo dados do IBGE, as taxas de pobreza caíram de 36,7% para 31,6% em 2022. Porém, considerando os dados da população negra, 40% eram pobres em 2022, o dobro da taxa da população branca (21%). O arranjo domiciliar formado por mulheres pretas ou pardas, sem cônjuge e com filhos menores de 14 anos, concentrava a maior incidência de pobreza: 72,2% dos moradores desses arranjos eram pobres.

Segundo Observatório 2030, poucas empresas declaram dados sobre trabalhadoras negras

São alarmantes também os mais recentes resultados para gênero do Observatório 2030, criado pelo Pacto Global – Rede Brasil para apoiar o setor empresarial com dados e evidências para fortalecer as ações empresariais rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aumentar o grau de ambição das metas das companhias no Brasil. Os indicadores utilizados são de empresas com atuação no Brasil, agrupados em uma amostra que utiliza os seguintes critérios: (1) empresas listadas na Bolsa de Valores, (2) reportam nos padrões do Global Reporting Initiative (GRI) e (3) são participantes do Pacto Global.

O indicador “percentual de pessoas colaboradoras negras no quadro funcional das empresas”, no 1º ciclo de coleta de dados, apontou que 15 das 82 empresas da amostra divulgavam a informação. Já no 2º ciclo, apenas 9 empresas das 109 empresas analisadas reportaram os dados. Ou seja, houve uma queda de 40%, que representa uma piora significativa considerando o amplo debate e relevância da inserção de mulheres negras no mercado de trabalho.

Também é analisado o “percentual de mulheres em cargos de Alta Administração das empresas”. O setor de Saúde e Educação, com o maior número de mulheres em seu quadro de pessoas colaboradoras, era o que possuía a menor representatividade feminina em cargos de liderança. Ainda neste mesmo setor, houve somente um aumento 9,17% para 18,66% no que se refere a mulheres no Conselho de Administração, ainda considerado baixo.

O setor de TI e Telecom possui o maior número de mulheres no Conselho (29,12%). O menor número de mulheres em cargos de Conselho se concentra no setor de Siderurgia e Mineração (8,77%), que também possui o menor percentual de mulheres em todo o quadro de pessoas colaboradoras.

Já em cargos de Diretoria Executiva, o setor com maior percentual de mulheres é o de Indústria e Infraestrutura (4,27%), com cinco empresas respondentes. Com exceção de Utilities e Siderurgia e Mineração, todos os setores possuem mais mulheres em cargos de Conselho de Administração do que na Diretoria Executiva.

Com exceção de cargos de média liderança (Diretoria, Gerência e Coordenação), identifica-se uma estabilidade no percentual médio de mulheres no quadro de pessoas e na Diretoria Executiva e um aumento de 4,28 % de representatividade feminina no Conselho de Administração, que, no período, passou de 14,77% para 19,05%.