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Combate às mudanças climáticas: riscos e oportunidades de investimento

Por David Medina O Grupo Temático de Energia e Clima da Rede Brasil do Pacto Global promoveu no dia 21 de junho, em São Paulo, o 2° Workshop “Diálogos de Financiamento Climático”, na sede do Conselho Regional de Administração (CRA-SP).

Por David Medina
O Grupo Temático de Energia e Clima da Rede Brasil do Pacto Global promoveu no dia 21 de junho, em São Paulo, o 2° Workshop “Diálogos de Financiamento Climático”, na sede do Conselho Regional de Administração (CRA-SP). O evento contou com especialistas e representantes de empresas signatárias e não signatárias, buscando facilitar o diálogo sobre o acesso a recursos financeiros voltados para projetos contra as mudanças climáticas.
Na ocasião, Paula Peirão, gestora de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), iniciou o encontro apresentando uma pesquisa sobre os riscos e as oportunidades decorrentes das mudanças climáticas para instituições financeiras, além dos impactos nas carteiras de crédito em decorrência de uma possível precificação de carbono no Brasil.
De acordo com a pesquisadora, existe uma tendência mundial de investimentos voltados para a economia verde e de baixo carbono, independente de políticas públicas governamentais. “Os investidores globais e as organizações estão seguindo a tendência de limitar a emissão de carbono e estudam formas mais adequadas de precificá-lo. Dessa forma, o sistema financeiro nacional tem percebido a necessidade de acompanhar essa discussão e entender os impactos de uma possível precificação em suas carteiras e operações”, comentou.
A precificação do carbono foi outro tema bastante abordado pelos especialistas. Realidade em diversos países, a precificação propõe criar medidas para fazer com que empresas poluidoras paguem por suas emissões, seja pela via de impostos ou pela comercialização de créditos de carbono. Cada país procura desenvolver metodologias de acordo com suas realidades, com o objetivo principal de estimular empresas a desenvolverem ações de aumento de eficiência e redução de emissões.
A coordenadora de projetos da GVces, Mariana Nicolletti (na foto à esquerda), explicou que a precificação do carbono é um dos principais instrumentos para viabilizar uma economia verde, induzindo mudanças de comportamento dos agentes econômicos e incentivando escolhas por bens e serviços menos carbono-intensivos, da produção ao consumo.
No Brasil, Mariana lembrou que mesmo não havendo regulamentação para a tributação das emissões de carbono, há o comprometimento com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025, conforme definição do Acordo de Paris. Para ela, as empresas e o setor financeiro possuem um papel fundamental no atingimento dessa meta.
“Para reduzir as emissões, empresas e agentes inseridos nesse processo precisam buscar melhorar a eficiência dos seus processos e atividades e trabalhar com a finalidade de encontrar meios de produção de baixo carbono. É nesse sentido que precisamos ter atenção aos instrumentos que serão utilizados para induzir mudanças e atingir as metas de redução”, comenta Mariana. Atualmente, cerca de 40 países e mais 20 cidades e estados no mundo estipulam um preço sobre suas emissões de carbono.
Energias Renováveis
Durante o evento, o analista de financiamento de projetos do Banco Santander, Gabriel Esteca, explorou a visão dos fundos de investimentos voltados para a geração de energia limpa, principalmente de matriz solar ou eólica. “Nosso objetivo é atuar junto a investidores e grandes empresas de energias locais ou globais para apoiar o processo de implementação de energias renováveis, sempre que estas sejam financeiramente viáveis”, destacou.
Além das iniciativas de empresas, Gabriel explicou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda é o principal financiador para projetos eólicos de longo prazo no Brasil, mas que é possível acessar outros meios de investimentos para projetos de médio prazo, dependendo do empreendimento. “Existem agências multilaterais, como o BID e o IFC, e agências de crédito à exportação que estão engajadas em investir em projetos sustentáveis, inclusive com empréstimos em reais e atrelados à inflação, fazendo uma correlação com a própria receita do projeto”.
Com previsão de outros dois encontros em 2017 – sendo o próximo, no dia 23 de agosto, na sede da Enel, em Niterói (RJ) – , a assessora do GT de Energia e Clima da Rede Brasil do Pacto Global, Mariana Martinato, lembrou que o programa “Diálogos de Financiamento Climático” resultará em uma publicação com as principais temáticas e ações discutidas. “Esperamos que os debates e o conteúdo desses encontros possam continuar facilitando o acesso das empresas às fontes de financiamento voltados para a economia verde”, disse. O GT de Energia e Clima é coordenado pela CPFL Energia.