[Artigo] Dia 28 de junho celebramos e refletimos sobre o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+

Junho de 2022 - Dia 28 de junho celebramos e refletimos sobre o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+, por um mundo em que os Direitos Humanos sejam de fato assegurados, sem deixar ninguém para trás.

O Brasil, infelizmente, ainda figura na lista de países que mais matam pessoas LGBTQIAP+, segundo levantamento do Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ – que reúne organizações da sociedade civil.

Para além da violência máxima, que ceifa a vida de tantas pessoas, não podemos naturalizar as inúmeras violências não fatais, microagressões e processos de exclusão, inclusive no mercado de trabalho, que revitimizam esta população de formas muito cruéis. Violências do cotidiano que deixam cicatrizes invisíveis, mas igualmente doloridas.

Como uma organização que trabalha em prol dos direitos humanos, da sustentabilidade e por um mundo de justiça social e igualdade plena (não apenas formal), seguindo o lema das Nações Unidas de não deixar ninguém para trás, nosso chamado para o setor privado, e às pessoas que se inserem em todas as organizações, hoje é para refletir sobre o que você, que não faz parte da comunidade LGBTQIAP+, pode fazer para contribuir com a garantia dos direitos humanos e na inclusão plena.

Aqui vão, então, três dicas para pessoas e empresas aliadas da comunidade LGBTQIAP+ celebrarem o Dia do Orgulho com consciência e intencionalidade.

1. A primeira reflexão a ser feita é sobre o termo comumente utilizado nesta data por pessoas de fora da comunidade que querem ser aliades: a aceitação.

Por maior boa intenção que haja por trás dessa expressão, a verdade é que não é de aceitação que se trata. Ninguém precisa “aceitar” o outro. As pessoas simplesmente são quem são e, dotadas de direitos humanos universais, intransferíveis, indivisíveis e interdependentes.

Abandone expressões como “aceitar” e “tolerar” e adicione mais “respeitar”, “proteger” e “incluir”. Inclusive e principalmente, em materiais institucionais, políticas de recursos humanos e mesmo em comunicações mais informais entre colegas.


2. Ver-se nas telas, nos comerciais, na rua andando de mãos dadas ou apenas compartilhando afeto e carinho livremente, sem medo de sofrer uma agressão por isso, traz visibilidade. Traz pertencimento. Traz vontade de continuar vivendo, de se amar, e de não precisar mudar quem se é para ser aceito e por isso mesmo é tão importante naturalizar e visibilizar as relações que fogem do padrão heterocisnormativo. Aqui se encaixa também a importância da cultura, da moda, do nosso convívio familiar e social também ser diverso. Quantas pessoas LGBTQIAP+ estão no seu círculo mais próximo?

Colocar intencionalidade significa ampliar o nosso repertório de influência, leituras e, principalmente, admiração. Em uma sociedade que exclui, nada disso é por acaso ou orgânico. É preciso, intencionalmente, colocar vontade para desconstruir os nossos preconceitos e práticas excludentes.

Neste sentido, torna-se ainda mais relevante que empresas comprometidas com a igualdade e os direitos humanos, reforcem este compromisso na sua publicidade e comunicação com todos os stakeholders, em peças impressas ou de vídeo e mesmo em relatórios aos investidores. Representatividade importa!   


3. Especialmente quando pensamos no nosso ambiente de trabalho, no papel dos profissionais de Recursos Humanos, lideranças e colegas, é necessária também a reflexão sobre as escolhas diárias que pessoas LGBTQIAP+ enfrentam, tendo que decidir se podem ou não apresentar suas/seus respectivos parceiros, decidir se um local é apropriado para falar ou beijar seus companheiros/as, se é possível vestir-se conforme sua identidade de gênero e se terão os seus direitos de licença maternidade/paternidade respeitados igualitariamente quando decidem trazer um novo ser aos seus ambientes familiares.

Nenhuma pessoa que se reconhece como heterossexual passa por isso. Nenhuma mulher e/ou homem heterossexual tem que se perguntar “será que conto no trabalho?”, ou refletir se pode dar ou não a mão na rua, um beijo ou simplesmente fazer um carinho no rosto da pessoa que ama em público. E todo esse “não poder”, o se questionar diariamente, também é uma forma dolorosa de repressão.


Você já parou para pensar que toda vez que a gente “assume” que uma pessoa é heterossexual, ao perguntar, por exemplo, sobre o “marido/namorado” ou “mulher/namorada”, estamos indiretamente dizendo que aquele é o padrão e colocando a pessoa na posição de ter que “sair do armário” infinitas vezes? Ou, pior, continuar nele...

Que tal o substituir a presunção pela dúvida e tratar todo mundo de forma neutra? Que tal perguntar: “Você se relaciona com alguém?” em vez de “você tem namorada/o?”

Na Plataforma de Ação pelos Direitos Humanos do Pacto Global da ONU no Brasil, estamos comprometidas em trazer conteúdos para reflexão e provocações gentis sobre o papel de cada um e cada uma na construção de um mundo plural, igualitário, justo e que respeite os direitos humanos de todas, todos e todes!

Nesta data, convidamos todo mundo a pensar e construir uma nova realidade, um novo discurso, imaginar novas possibilidades.

Mais inclusivas, menos violentas e mais potentes.

Por Tayná Leite, Gerente Sr. de Direitos Humanos



Foto da capa: @carrier_lost - Unsplash
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