Pacto Global da ONU no Brasil participa de Encontro Nacional Contra a Fome da Ação da Cidadania

Junho de 2022 - No último dia 22 de junho, especialistas do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP) no Brasil, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do UNICEF e do Pacto Global da ONU fizeram parte do painel ‘Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e Segurança Alimentar’, como parte do Encontro Nacional Contra a Fome. O Encontro foi organizado pela ONG Ação da Cidadania e por diversas entidades que atuam na temática da segurança alimentar e debate saídas e soluções para frear o avanço da fome no Brasil.

Durante o painel das Nações Unidas, o foco foi o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2, que busca acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhor nutrição e promover a agricultura sustentável; e no ODS 17, de fortalecimento dos meios de implementação e revitalização da parceria global para o desenvolvimento sustentável.

O Pacto Global da ONU é a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial na adoção e promoção, em suas práticas de negócios, de Dez Princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Com a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também assumiu a missão de engajar o setor privado nesta agenda. E o Pacto Global da ONU no Brasil é a terceira maior rede local, com mais de 1.500 participantes engajados em suas plataformas de ação, entre elas a do agro, que lida diretamente com o tema do ODS 2.

A Plataforma de Ação pelo Agro Sustentável é a única plataforma setorial do Pacto Global da ONU no Brasil que tem como grande objetivo apoiar as empresas do setor de alimentos e agricultura na sua jornada por práticas agrícolas sustentáveis. O foco principal de atuação são os ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, ODS 12 – Produção e Consumo Sustentáveis e ODS 13- Combater as Alterações Climáticas. A Plataforma também conta com os Princípios Empresariais de Alimentos e Agricultura, um manual que orienta as empresas na implantação de práticas agrícolas sustentáveis nas respectivas cadeias de valor. Em dezembro de 2022, implantou um de seus projetos, a iniciativa Entre Solos, cujo objetivo é oferecer um canal de diálogo sobre sustentabilidade no setor, aproximando o campo das cidades.

Gerente Sênior de Direitos Humanos e Gênero do Pacto Global da ONU no Brasil, Tayná Leite representou a instituição e lembrou o quanto as questões como fome e direitos humanos estão relacionadas. Ela ressaltou que as empresas têm uma função estratégica na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Agenda 2030, na defesa e na implementação dos direitos humanos: “Não há outro negócio mais valioso do que a sustentabilidade do nosso planeta e a vida digna daqueles que aqui habitam”.

Para Tayná, a diversidade e a inclusão são fundamentais para conseguir soluções mais efetivas para problemas atuais, já vistas em algumas comunidades indígenas, tradicionais e quilombolas. “A diversidade e a inclusão são essenciais para que possamos ter vozes diferentes nos trazendo essas perspectivas e soluções novas para problemas antigos”.

Daniel Balaban, Diretor do Centro de Excelência contra a Fome do WFP no Brasil, foi quem iniciou o painel, detalhando o trabalho do WFP no mundo e as ações específicas do Centro no Brasil. Ele destacou que, no mundo, o WFP atende diversas pessoas em situações de conflito, crises climáticas adversas, entre outras situações que impulsionam a fome. “Infelizmente, o trabalho não é o suficiente. Atendemos cerca de 130 milhões de pessoas, mas nós temos mais de 800 milhões de pessoas passando fome agora ao redor do planeta”, destacou Daniel.

Para o Diretor, acabar com a pobreza e a fome no mundo requer investimentos em sistemas alimentares bem organizados e a criação de programas de alimentação escolar amplos. “É possível fazer da fome um capítulo do passado”, disse.

Segundo a FAO, entre 2016 e 2021, a população em crise teve um aumento de cerca de 80% no mundo, passando de 108 milhões de pessoas para 193 milhões. De acordo com o representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala, a conjunção de quatro causas leva ao crescimento da insegurança alimentar e da fome no mundo: o conflito armado, a crise econômica, a crise climática e a crise sanitária. Para ele, assim como para Daniel Balaban, o enfrentamento desse cenário passa por repensar os sistemas alimentares, mudar paradigmas e garantir a continuidade de programas de alimentação escolar, como o PNAE, o programa de alimentação escolar do Brasil.

O novo sistema alimentar deve ser integral e focar, principalmente, em nutrição por unidade de insumos e recursos, onde os protagonistas são os consumidores e a sociedade civil. Também é importante que nesses novos sistemas as economias emergentes desempenhem um papel cada vez mais importante e que as questões de gênero estejam no centro do planejamento e da execução.

No mesmo painel, Luciana Phebo, coordenadora do Território Sudeste e chefe do escritório do Rio de Janeiro do UNICEF, trouxe uma palestra sobre a importância da alimentação adequada na primeira infância. “Um dos caminhos, talvez um dos caminhos mais estratégicos [para acabar com a fome no mundo], é apostar na primeira infância”, afirmou.

O painel completo está disponível no canal do YouTube da Ação da Cidadania.


Crédito das fotos: Paulo Barros
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