28 empresas globais assumem compromisso público contra mudança do clima

As companhias cujo valor de mercado somado chega a US$ 1,2 trilhão, entre elas a brasileira Natura, assumiram o compromisso de limitar o aumento da temperatura mundial a 1.5º C, objetivo alinhado com dados científicos.

23 de julho de 2019 – Ao menos 28 empresas globais com um capital total de US$ 1,2 trilhão estão engajadas com uma nova meta de ação climática, em resposta a uma campanha prévia à Cúpula do Clima, que acontece em Nova York no dia 23 de setembro. As companhias se comprometeram a metas ambiciosas, que pretendem limitar o aumento da temperatura média mundial a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, e chegar ao objetivo de zero emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) antes de 2050. 

As empresas que se engajaram com este compromisso empregam mais de um milhão de funcionários, e mobilizam 15 setores econômicos em mais de 15 países. Entre elas, está a brasileira Natura. O objetivo da Rede Brasil do Pacto Global é engajar 100% da sua rede com a meta de limitar o aumento da temperatura global. Algumas companhias estrangeiras, como BT, Levi & Strauss 7 Co. e SAP já estão alinhadas ao objetivo de redução para 1.5°C ao cobrirem as emissões de GEE em suas operações.

“A liderança climática nunca foi tão importante como agora. É inspirador ver estas empresas e marcas aumentando suas ambições”, afirma Lise Kingo, CEO e diretora-executiva do Pacto Global. “Empresas líderes já estão provando que limitar suas metas a 1.5°C é possível. Encorajo todos os negócios a se unirem a esta oportunidade e se posicionarem na linha de frente deste movimento, contribuindo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”.

O compromisso das 28 companhias atende ao mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change, ou IPCC), que alertou para consequências catastróficas caso o aumento global de temperatura exceda 1.5 °C. “É muito encorajador ver os líderes da comunidade empresarial global agindo para acabar com a emergência climática, pois agir a favor do clima gera oportunidades para os pioneiros. Ao enviar sinais ao mercado, estas empresas estão mostrando aos governos que eles precisam aumentar seus planos nacionais de acordo com o que a ciência diz sobre o clima”, afirmou o enviado especial da ONU para a Cúpula do Clima, Luis Alfonso de Alba.  

Construir uma economia próspera de zero emissões de carbono até 2050 requer esforços tanto da liderança empresarial quanto de políticas governamentais. Ao estabelecer metas e políticas públicas para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C, os governos oferecem aos negócios a clareza e confiança para investir decisivamente nas economias de zero-carbono no futuro.

Metas baseadas na ciência

As empresas que apoiam a ação climática estão comprometidas a definir metas baseadas na ciência por meio do Science Based Targets Initiative (SBTi), que avalia a redução de emissões de gases das indústrias de forma independente. Atualmente, cerca de 600 das maiores empresas do mundo estão estabelecendo metas de redução de GEE alinhadas ao Acordo de Paris. Em abril de 2019, o SBTi lançou novos recursos de validação de metas para permitir que as empresas definissem objetivos consistentes com 1,5 ° C.

O chamado histórico para limitar o aumento global de temperatura foi lançado em junho pelo enviado especial para a Cúpula do Clima, Luis Alfonso de Alba, no Rio de Janeiro. Ele começou na forma de uma carta aberta endereçada a CEOs e assinada por 25 líderes globais, incluindo Maria Fernanda Espinosa Garcés, presidente da Assembleia Geral da ONU; Lise Kingo, CEO e diretora-executiva do Pacto Global; Patrícia Epinosa, secretária executiva da Convenção-quadro das ONU sobre Mudanças Climáticas; Christiana Figueres, co-fundadora do Global Optimism; John Denton, secretário-geral da Câmara Internacional de Comércio; e Paul Polman, ativista dos ODS e co-fundador da Imagine.

CEOs ambiciosos que comprometerem suas companhias ao objetivo de 1.5°C em apoio a um futuro sem emissão excessiva de carbono serão reconhecidos no UN Global Compact Private Sector Forum, parte da Cúpula de Ação Climática, no dia 23 de setembro. 

No Brasil

No país, a Rede Brasil do Pacto Global criou o Action4Climate Brazil, um programa composto por projetos e ações nas frentes de mitigação, adaptação e meios de implementação – que se referem a finanças climáticas e engajamento em políticas públicas. Inclui atividades de identificação de cenários climáticos, avaliação de vulnerabilidades, sensibilização da cadeia de valor de seus membros e capacitações e eventos para subsidiar a rede, direcionando esforços para que as participantes estabeleçam compromissos públicos e metas baseadas na ciência.

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