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Reynaldo Goto destacou o protagonismo do setor privado no combate à corrupção no Brasil, especialmente após os empresários serem vistos como os atores principais de práticas ilícitas
Imagem: Divulgação/Unimed Fortaleza

Riscos de corrupção no Nordeste

Publicado em 6 de novembro de 2017

Por Luiza Carolina Figueiredo

Toda empresa está sujeita a vários riscos de corrupção. E identificá-los, avaliá-los e estabelecer meios de mitigá-los é a forma que o setor privado encontrou de combatê-la. Com esta premissa, foi realizado o Workshop “Avaliação de riscos de corrupção” no dia 25 de outubro, em Fortaleza. O treinamento – que chega pela primeira vez ao Nordeste – foi promovido pela Rede Brasil do Pacto Global, em parceria com a Deloitte e a Unimed Fortaleza, e reuniu cerca de 70 empresários do Ceará e de outros estados da região para discutir a importância da integridade nas organizações.

“Qual o nível do controle de compliance de uma empresa? Depende do número de riscos a que a empresa está sujeita”. Foi assim que o Coordenador do GT Anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global e diretor de Compliance da Siemens, Reynaldo Goto, deu início à sua fala de abertura. Em seguida, foi feita uma breve retrospectiva da corrupção no Brasil, a partir da Constituição de 1988, com a garantia de muitos direitos e o repasse de algumas das obrigações do Estado para o setor privado.

Por fim, falou-se sobre os últimos escândalos no Brasil e a Operação Lava-Jato, quando os empresários deixaram de ser vistos como vítimas e se transformam em atores principais da corrupção. “Por isso é preciso uma conscientização do protagonismo do setor privado no combate à corrupção. Não podemos ficar apáticos ou numa posição passiva esperando que as coisas mudem se nós não começarmos a nos mexer. No Brasil existe o jargão ‘perguntar não ofende’. Então é preciso estar preparado para agir adequadamente deste lado do balcão para quando o outro lado vier com alguma pergunta engraçada”, comentou Goto.

O ponto principal do workshop foi a palestra “Programas de compliance na prática e metodologia de avaliação dos riscos”, no qual Edson Lopes Cedraz, Sócio do Centro de Governança Corporativa da Deloitte (na foto acima), explicou como são feitos os programas de integridade e como eles podem gerar vantagens competitivas para as empresas. “A honestidade é um diferencial no mercado”, afirmou.

Em seguida, Leonardo Moraes, Diretor da Deloitte, comandou uma dinâmica de grupo e aplicou um estudo de caso em que os participantes analisaram uma grande empresa fictícia e deveriam mapear e avaliar as áreas-chave de potenciais riscos, definir a prioridade dos riscos a serem monitorados e estabelecer um plano de ação para mitigá-los. “Os objetivos da avaliação de riscos é entender seu contexto e definir as melhores ações. Contudo, o maior risco dentro de uma empresa é desconhecê-lo, seguido do pensamento de que consegue gerenciá-lo”, disse.

Representando o setor público, o Coordenador de Ações Estratégicas, Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará (CGE/CE), Marcelo Sousa Monteiro (na foto à direita), comentou sobre a atuação da CGE, apresentando alguns resultados positivos do Ceará no combate à corrupção: o estado foi apontado como o de melhor gestão fiscal do país e recebeu nota máxima na Escala Brasil Transparente, do Portal da Transparência, ao lado de Alagoas, Bahia e Espírito Santo. Monteiro também ressaltou a importância das denúncias a canais com os da CGE e as manifestações contra a corrupção, a exemplo das que ocorreram em 2013, na consolidação da Lei Anticorrupção.

Tripé anticorrupção
No encerramento, foi aberto um painel de debate, moderado por Reynaldo Goto, com o Conselheiro da Comissão de Ética do Instituto Ética Saúde, Antonio Fonseca, o Gerente de Compliance da Unimed Fortaleza, Gleidson Sobreira Lobo e a Promotora de Justiça do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e Coordenadora da Ação 6 da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), Luciana Asper y Valdes.

A promotora comentou que não se pode esperar que um “super-herói de capa” vença a corrupção, mas que a sociedade é quem deve fazer a sua parte. “O combate se faz por meio de um tripé e, por incrível que pareça, nós podemos fazer parte dele: a responsabilização e combate à lavagem de dinheiro, o controle e detecção de desvios de bens públicos e a formação primária, que é formar um cidadão com uma identidade que os deixe incapazes de cometer atos ilícitos. Um cidadão honesto, íntegro e resiliente”, disse. Luciana Asper y Valdes ainda fez um convite para que as empresas participem da campanha Todos juntos contra corrupção.

Troca de experiências
Ao final do encontro, os participantes se mostram satisfeitos com o que foi aprendido no treinamento. Segundo a Coordenadora de Sustentabilidade e Governança da Unimed Fortaleza, Verbena Medeiros, a iniciativa de promover o treinamento no Ceará veio para sensibilizar e engajar profissionais sobre compliance e ações anticorrupção.

Milene Pereira, Gerente de sustentabilidade da Três Corações, ressaltou a importância da iniciativa. “Somos signatários do Pacto Global e muitas vezes tivemos que viajar para participar de workshops, mas desta vez foi aqui, onde é a nossa sede”. Vinda de São Luís, no Maranhão, a Gerente de Comunicação e Responsabilidade Social do Porto do Itaqui, Déborah Baesse, disse ter achado interessante “um número tão grande de empresas, públicas ou privadas, interessadas em implantar seu programa de compliance”.

Para Marco Hirano, Sócio da Shoten Tecnologia, a discussão do tema é fundamental. “Ninguém faz corrupção sozinho pois, se o setor público é corrupto, tem algum agente que o corrompe. Então, na prática, é importante que os setores público, privado e a sociedade estejam envolvidos no debate”, concluiu. Já a Diretora da CRA Sustentável, Christie Bechara, comentou que muitas empresas tiveram o primeiro contato com a questão. “A gente vê que o desafio é muito grande, mas que é possível implantar mecanismos de controle”, disse.


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