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André Oliveira ressaltou que o estudo traz resultados expressivos de como enfrentar o desafio das perdas de água nos sistemas de distribuição
Imagem: Helcio Nagamine/FIESP

‘Menos perda, mais água’ lança relatório sobre perdas de água na FIESP

Publicado em 7 de junho de 2017

A região Sudeste do Brasil acaba de passar por sua pior crise hídrica da história. Com base nesse recente cenário, o Movimento Menos Perdas, Mais Água – iniciativa criada pela Rede Brasil do Pacto Global –, em parceria com o Instituto Trata Brasil, lançou ontem, durante a Semana do Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o relatório “Perdas de água nos sistemas de distribuição como agravante à vulnerabilidade das bacias hidrográficas - o caso das bacias PCJ”. A escolha das bacias PCJ – compostas pelos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí – como objeto do estudo se deu devido à importância econômica da região, que responde a 7% do PIB nacional. O estudo demonstrou que a redução de perdas de água terá efetividade se for acompanhada por outras medidas, como o uso racional da água e investimentos em infraestrutura.

O Presidente da Rede Brasil do Pacto Global, André Oliveira, destacou a importância da iniciativa. “O estudo traz resultados expressivos de como enfrentar o desafio das perdas de água na distribuição. O Movimento representa a união dos esforços e expertises para tratar uma questão sensível de uma forma bastante profissional”. Ele ainda fez menção à trajetória do Movimento desde o seu lançamento, em novembro de 2015, em Brasília. Liderado pelas empresas Sanasa e Braskem, o Menos Perdas, Mais Água anseia ser uma das referências globais na promoção de soluções colaborativas para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 – Água potável e saneamento – e 17 – parcerias e meios de implementação.

O diagnóstico, produzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Reinfra Consultoria, buscou mostrar a relevância de se controlar as perdas de água nos sistemas de distribuição como forma de abrandar um possível estresse hídrico nas bacias hidrográficas brasileiras, tendo como exemplo as bacias PCJ. São 74 municípios e população de 5,6 milhões de pessoas, sendo 69 cidades em São Paulo e cinco em Minas Gerais. O estudo mostrou que, em 2015, foram perdidos 182 milhões de metros cúbicos de água por vazamentos, fraudes, roubos ou problemas de medição. Esse volume seria suficiente para abastecer metade dos moradores da mesma bacia, ou seja, 2,7 milhões de habitantes.

Segundo Alceu Galvão, pesquisador do Trata Brasil, a média das perdas no sistema de distribuição do país, em 2015, foi de 36,7%, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades. Ele explicou que, acompanhando os indicadores do SNIS nos últimos anos, observa-se que o Brasil (36,7%), a região Sudeste (32,9%) e o estado de São Paulo (33,5%), têm avançado no combate às perdas de água, já que atingiram em 2015 índices próximos à meta estipulada para 2018. Entretanto, os municípios das bacias PCJ, com média de 37,2%, não acompanharam essa tendência.

O Presidente-Executivo do Instituto Trata Brasil, Edson Carlos, comentou sobre o panorama da crise hídrica entre 2012 e 2017, destacando que houve um aumento da demanda de água nas cidades e pelo setor agrícola, ao mesmo tempo em que houve uma estagnação do volume das reservas de água. Além disso, ele citou a criticidade das chuvas, especialmente no Nordeste. “Os números só não são piores porque houve investimentos de infraestrutura em segurança hídrica. No entanto, ainda temos 50% da população brasileira sem coleta de esgoto e 34 milhões de pessoas sem acesso à água tratada, o que gera uma grande pressão aos recursos hídricos”, disse.

Sérgio Ayrimoraes Soares, Superintendente de Recursos Hídricos da Agência Nacional das Águas (ANA), destacou que, para a renovação da outorga do Sistema Cantareira – do qual faz parte a bacia do PCJ –, em maio, uma resolução do órgão determinou a redução da média mensal de retirada de água. “Temos que trabalhar não somente as perdas, mas o controle do uso da água. Com isso, o uso será reduzido para 56% do sistema”, disse. Na avaliação de Soares, os riscos climáticos e hidrológicos, controle da poluição e investimentos em infraestrutura precisam ser levados em conta para que a redução de perdas seja profícua.

Meta nacional
No final de 2013, a Presidência da República promulgou o Plano Nacional de Saneamento de Básico (PLANSAB), o qual tem como meta, reduzir a média nacional de perdas nos sistemas de distribuição para 31% até 2033. O pesquisador Alceu Galvão comentou que foram estimados os volumes e os custos de produção de água que poderão ser economizados pelos municípios a partir da redução dos atuais índices de perdas. Em um cenário factível, a redução dos índices de perdas nos sistemas de distribuição chegaria a 30%. “O volume a ser economizado seria de 63 milhões de metros cúbicos por ano, o que representa uma economia anual de R$ 104 milhões”, revelou.

O estudo ainda aponta que, em todos os cenários traçados, a demanda futura de água na bacia tende a ser superior à disponibilidade hídrica até 2035. No cenário para 2035, que considera a redução de perdas em todos os municípios para 25%, bem como uma redução da demanda para a irrigação, os números mostram que a demanda total de água estimada para as bacias PCJ superaria em 22% a disponibilidade atual.

Outras medidas
Portanto, o estudo conclui que os programas de redução e controle de perdas, apesar dos volumes de água significativos que poderão ser economizados, por si só não solucionarão o déficit hídrico estimado pelo Plano de Bacias. Esses programas devem estar associados ao planejamento e implementação de outras ações que busquem o aumento da oferta de água, tais como o aumento dos índices de tratamento de esgotos dos municípios, utilização da água de reuso e redução dos consumos per capita. Além disso, são feitas recomendações sobre a Implementação de ações de gestão operacional periódica nos sistemas de abastecimento, bem como a melhoraria a interlocução entre os diversos atores do saneamento e recursos hídricos.

“Precisamos migrar para uma sociedade que consuma menos água e que possamos cumprir o nosso papel de usá-la de forma racional, o que vai ao encontro da segurança hídrica no Brasil. As perdas nos sistemas de distribuição são grandes e contribuem para isso. Portanto, é preciso chegar a um controle de perdas a um nível satisfatório. Trata-se de uma questão complexa, mas precisamos seguir em frente”, afirmou Mônica Porto, Secretária Adjunta de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo.

Acesse o sumário executivo do estudo.

Assista ao vídeo institucional do Menos Perdas, Mais Água.


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