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Segundo Denise, o processo de implantação dos ODS precisa ser feita de forma integrada entre governos, empresas e sociedade civil
Imagem: Fellipe Abreu/Rede Brasil do Pacto Global

Denise Hills: 'Os pilares de sucesso dos negócios precisam ser sustentáveis'

Publicado em 18 de janeiro de 2017

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) significarão um novo paradigma para as estratégias econômicas de empresas, governos e sociedade civil. É o que afirma Denise Hills,Vice-presidente e Coordenadora do GT ODS da Rede Brasil do Pacto Global e Superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco. Em entrevista para o site da Rede Brasil, ela comenta sobre a realização do estudo "Integração dos ODS na estratégia empresarial: contribuições do Comitê Brasileiro do Pacto Global para a Agenda 2030", que já teve uma prévia apresentada durante o Fórum Pacto Global, em novembro de 2016, e será lançado na íntegra em março. Acompanhe:

 

O que motivou o desenvolvimento desse estudo?

O propósito do estudo é promover a agenda 2030 no Brasil para engajamento e sensibilização de alta liderança de empresas privadas, além de posicionar a Rede Brasil do Pacto Global como principal elo entre as empresas e os objetivos das Nações Unidas. Por meio do estudo, pretendemos buscar e identificar o andamento dos passos recomendados pelo SDG Compass (o guia dos ODS para as Empresas), além de conhecer os esforços das empresas do CBPG frente aos 17 Objetivos.

Por que o GT ODS do Pacto Global definiu que esse era um passo importante?

Por meio dos workshops, reuniões e eventos que realizamos e participamos, escutamos de algumas empresas as dificuldades e desafios encontrados na implementação do SDG Compass, que foi traduzido e publicado pela Rede Brasil do Pacto Global, em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Global Reporting Initiative (GRI). Por esse motivo, realizar o estudo é uma maneira de ter uma foto no primeiro ano dessa agenda e a partir dela cada empresa poderá, em sua realidade empresarial, desenvolver cronograma, planos de ação e prioridades para andamento da Agenda, além de acompanhar a evolução da implementação no futuro. Importante frisar que os ODS representam um grande desafio, mas também uma excelente oportunidade de alavancar novos negócios e projetos.

 

Qual a importância do alinhamento das ações da Rede Brasil com os ODS?

A implantação da agenda 2030 e o alcance dos ODS é um tema que precisa estar integrado entre os diversos atores. Quanto mais próximos estiverem a agenda pública, a sociedade civil e o setor privado, mais facilmente conseguiremos cumprir nossos objetivos. A Rede Brasil do Pacto Global vem impulsionando diversas empresas e outras organizações no país a adotarem a cidadania empresarial como padrão para a gestão de seus negócios e na intensificação deste movimento onde ele já se encontra de certa forma consolidado. No entanto, a nova agenda 2030 da ONU convida as organizações, não só repensarem a atuação delas, como também a ampliarem, fortalecerem e investirem no alcance dos ODS para que dessa forma os pilares de sucesso dos negócios sejam sustentáveis.

 

No dia 25 de setembro de 2016 fez um ano que os ODS foram lançados...de lá para cá, o estudo reflete o tempo de implementação dos ODS de alguma maneira? Se sim, como?

Sim, o produto final desse estudo trará uma visão da trajetória das empresas do Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG) desde que a Agenda 2030 iniciou e será uma forma de alavancar empresas que de certa forma ainda não iniciaram essa conversa bem como fortalecer o compromisso com o desenvolvimento sustentável daquelas que iniciaram a integração do tema à estratégia e governança de suas instituições.

Quais os principais obstáculos para as empresas diante da Agenda 2030?

O principal obstáculo é que, por tratar-se de um assunto relativamente novo para a atividade empresarial, ter uma agenda com objetivos e metas em escala global requer que a companhia leia, interprete e aproxime os direcionadores dela para a realidade econômica e produtiva, sem perder de vista a forma como conduz os negócios, ou seja, aproximar da melhor forma possível a sua estratégia em direção ao cumprimento dos ODS visando o desenvolvimento sustentável do mundo.

 

Vocês pretendem usar algum índice?

Os índices com certeza ajudam, esse ano nós reportamos a matriz de materialidade do Itaú em nosso Relatório Anual Consolidado de 2015, contendo o cruzamento dos indicadores GRI com os princípios do Pacto e com as metas dos ODS. Mas entendemos que o desafio é maior. Nós, assim como as outras empresas, precisamos ter e acompanhar indicadores de sucesso dessa agenda.

 

Qual a principal contribuição da Agenda 2030?

O novo padrão de desenvolvimento estabelecido pela Agenda 2030 direcionará e impulsionará a forma como as empresas, governos e sociedade civil fazem e criam suas estratégias econômicas. A partir dela, descobriremos novas oportunidades de crescimento e fortalecimento da colaboração mundial como também será reforçada a necessidade de redução dos impactos ambientais e sociais, tendo a inovação como principal aliado para resolução de desafios em busca do desenvolvimento sustentável.

 


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